Segurança do Microsoft 365: sete configurações que valem uma revisão no seu tenant

Um roteiro para revisar identidade, autenticação legada, administradores, consentimento de aplicativos, compartilhamento externo, e-mail e auditoria no Microsoft 365, separando o que a Microsoft já liga por padrão do que depende de uma decisão sua.

10 min de leitura

O Microsoft 365 entrega muita proteção pronta, e a Microsoft vem endurecendo os padrões a cada ano. Mesmo assim, parte importante da segurança depende de decisões que só a sua empresa pode tomar: quem é administrador, quais aplicativos podem ler os e-mails dos colaboradores, com quem os arquivos podem ser compartilhados e por quanto tempo os registros de auditoria ficam guardados.

Este guia percorre as sete áreas que mais pesam nessa conta. Para cada uma, mostramos o que já vem ligado, o que vale conferir e onde fica a configuração, para que o seu time faça a revisão com calma e com base na documentação oficial.

Resumo rápido

  • Comece pelo Microsoft Secure Score, que mostra no portal do Microsoft Defender as ações recomendadas para o seu tenant.
  • Garanta MFA para todos e bloqueie a autenticação legada, com os security defaults ou com políticas de Conditional Access (que exigem Microsoft Entra ID P1).
  • Restrinja o consentimento de aplicativos OAuth e o compartilhamento por links "Anyone", dois caminhos comuns de vazamento que não dependem de senha roubada.
  • Confira o encaminhamento automático de e-mail, as políticas do Defender for Office 365 e a retenção da auditoria, que é de 180 dias no Audit (Standard).

Comece pelo Microsoft Secure Score

O Microsoft Secure Score é a medida de postura de segurança da sua organização no portal do Microsoft Defender. Quanto mais ações recomendadas você adota, maior a nota. Cada recomendação mostra o que fazer, o impacto para o usuário e quantos pontos vale, e a própria Microsoft lembra que a nota não é uma medida absoluta da chance de invasão, e sim do quanto os controles disponíveis estão em uso.

Na prática, ele é um ótimo ponto de partida para priorizar: as recomendações de identidade costumam ser as que mais reduzem risco com menos esforço.

1. MFA para todos: security defaults ou Conditional Access

A autenticação multifator (MFA) é a proteção de maior impacto contra roubo de senha. No Microsoft Entra ID há dois caminhos para exigi-la:

  • Security defaults. Gratuitos e sem personalização. Exigem que todos os usuários se registrem para MFA, exigem MFA dos administradores, pedem MFA dos usuários quando necessário, bloqueiam protocolos de autenticação legada e protegem atividades privilegiadas, como o acesso ao portal do Azure. Tenants criados a partir de 22 de outubro de 2019 podem já estar com eles ligados.
  • Conditional Access. Exige pelo menos Microsoft Entra ID P1 e permite políticas por usuário, aplicativo, local, risco e estado do dispositivo. Para usá-lo, os security defaults precisam ser desligados, e a Microsoft recomenda colocar no lugar, de imediato, políticas equivalentes, como as políticas de Conditional Access gerenciadas pela Microsoft e os modelos da categoria "secure foundations".

Um cuidado vale para os dois caminhos: a Microsoft recomenda manter duas contas de acesso de emergência, somente na nuvem, com a função de Global Administrator, para o caso de todos os administradores ficarem bloqueados. Elas precisam ser criadas e protegidas seguindo as recomendações específicas para contas de emergência.

2. Autenticação legada: a porta que ignora o MFA

Autenticação legada é a que vem de clientes sem autenticação moderna ou de protocolos antigos de e-mail, como IMAP, POP3 e SMTP. Ela não suporta MFA. Por isso, mesmo com MFA exigido, um atacante com a senha correta pode tentar entrar por esses protocolos.

No Exchange Online, a Microsoft já desligou a Basic authentication para Exchange ActiveSync, POP, IMAP, EWS, Remote PowerShell, OAB, Autodiscover e Outlook. A exceção que ainda merece atenção é o SMTP AUTH, usado por impressoras multifuncionais, sistemas e scripts que enviam e-mail. A Microsoft anunciou a aposentadoria da Basic authentication também no SMTP AUTH e atualizou o cronograma mais de uma vez, então vale conferir o comunicado mais recente e mapear agora quem envia e-mail dessa forma.

Para bloquear a autenticação legada no Entra ID, use os security defaults ou a política de Conditional Access "Block legacy authentication". Antes de ligar, confira nos logs de entrada quem ainda depende desses protocolos, para não interromper um sistema importante.

3. Administradores: poucos, com privilégio na medida

Uma conta de administrador comprometida vale mais para o atacante do que dezenas de contas comuns. As práticas recomendadas pela Microsoft são diretas:

  • Menos de cinco Global Administrators. Se houver cinco ou mais, o próprio Entra ID exibe um alerta na página de visão geral.
  • Menor privilégio. Use funções específicas, como Exchange Administrator, SharePoint Administrator ou Helpdesk Administrator, em vez de Global Administrator para tarefas do dia a dia.
  • Contas separadas. O administrador usa uma conta para administrar e outra para o trabalho cotidiano, de preferência contas somente na nuvem, e não sincronizadas do Active Directory local.
  • Acesso just-in-time. Com o Microsoft Entra Privileged Identity Management (PIM), a pessoa fica elegível para a função e a ativa só quando precisa, por tempo limitado. O PIM exige Microsoft Entra ID P2 ou Microsoft Entra ID Governance.

4. O golpe do "Permitir acesso": consentimento de aplicativos OAuth

O MFA não protege contra tudo. No chamado consent phishing, o colaborador recebe um link legítimo da Microsoft pedindo que ele autorize um aplicativo a "ler seus e-mails". Se ele clicar em aceitar, o aplicativo ganha um token de acesso à caixa dele, sem precisar da senha.

Por padrão, o Entra ID permite que todos os usuários consintam com aplicativos para permissões que não exigem aprovação de administrador. Um exemplo dado pela própria Microsoft: o usuário pode autorizar um app a acessar a caixa de correio dele. Para reduzir esse risco:

  • Em Enterprise apps, Consent and permissions, User consent settings, escolha "Allow user consent for apps from verified publishers, for selected permissions", que é a recomendação da Microsoft, ou desligue o consentimento de usuários.
  • Ligue o admin consent workflow, para que o usuário possa pedir a aprovação de um administrador em vez de ficar sem saída.
  • Revise os consentimentos já concedidos. Mudar a configuração vale só para consentimentos futuros. Os aplicativos que já receberam permissão continuam com ela até alguém revogar.

5. Compartilhamento externo no SharePoint e no OneDrive

O SharePoint e o OneDrive têm quatro níveis de compartilhamento externo na organização: Anyone, New and existing guests, Existing guests e Only people in your organization. O OneDrive pode ser mais restritivo que o SharePoint, mas nunca mais permissivo, e cada site pode ser igual ou mais restritivo que a organização.

O ponto de atenção é o nível Anyone. Com ele, qualquer colaborador pode gerar um link que abre o arquivo para quem tiver o endereço, sem autenticação. Dependendo de como o tenant foi configurado, o link Anyone pode ser o tipo sugerido por padrão e pode permitir edição, e não só leitura. Um contrato ou uma planilha pode circular sem que ninguém perceba.

Se o seu negócio precisa de links Anyone, dá para manter a conveniência com salvaguardas:

  • Prazo de expiração em "These links must expire within this many days".
  • Somente visualização para links Anyone de arquivos e pastas.
  • Tipo de link padrão em "Only people in your organization" ou "Specific people", para que o link aberto ao público seja sempre uma escolha consciente.
  • Restrição por site, liberando Anyone só onde faz sentido, e lista de domínios permitidos ou bloqueados quando o compartilhamento é com parceiros conhecidos.
  • Expiração do acesso de convidados, para que acessos antigos não fiquem esquecidos.

6. E-mail: Defender for Office 365 e encaminhamento automático

Toda caixa de correio na nuvem já conta com proteções nativas contra malware, spam e phishing por falsificação de remetente. O Microsoft Defender for Office 365 acrescenta camadas:

  • Plan 1, incluído em assinaturas como o Microsoft 365 Business Premium: Safe Links, Safe Attachments (também para SharePoint, OneDrive e Teams) e proteção contra personificação de usuários e domínios.
  • Plan 2, incluído em assinaturas como o Microsoft 365 E5: soma Threat Explorer, Attack simulation training e investigação e resposta automatizadas (AIR).

As preset security policies (Standard e Strict) aplicam de uma vez as configurações recomendadas pela Microsoft, e a política Built-in protection já liga uma proteção básica de Safe Links e Safe Attachments em organizações com licenças do Defender for Office 365. Para completar, configure SPF, DKIM e DMARC nos seus domínios, inclusive nos que não enviam e-mail.

O encaminhamento automático para fora da empresa merece um olhar específico, porque é um caminho clássico de desvio de mensagens depois que uma conta é comprometida. Ele é controlado na política de outbound spam, que tem três opções. O padrão, "Automatic - System-controlled", passou a equivaler a desligado em 2021 para organizações novas, mas pode continuar ligado em organizações que já o usavam. Por isso a própria Microsoft recomenda definir explicitamente "Off - Forwarding is disabled" ou "On - Forwarding is enabled". Se alguns usuários precisam encaminhar para parceiros, use remote domains para liberar só esses destinos. O relatório "Auto forwarded messages" mostra quem está encaminhando hoje.

7. Auditoria: saber o que aconteceu, e por quanto tempo

Se alguém criar uma regra de caixa de entrada para desviar mensagens, você precisa conseguir ver quem fez, quando e de onde. Três pontos para conferir:

  • Mailbox auditing. Fica ligado por padrão em todas as organizações e registra ações como a criação ou alteração de regras de caixa de entrada (UpdateInboxRules). Para confirmar, rode no Exchange Online PowerShell Get-OrganizationConfig | Format-List AuditDisabled: o valor False indica que a auditoria por padrão está ativa. Contas configuradas com bypass de auditoria não geram registros, então vale verificar se existem.
  • Retenção. No Audit (Standard), os registros gerados a partir de 17 de outubro de 2023 ficam 180 dias. No Audit (Premium), uma política padrão guarda por um ano os registros de Exchange Online, SharePoint, OneDrive e Microsoft Entra de usuários com licença E5 ou equivalente, e um add-on permite chegar a 10 anos.
  • Investigação. Muitos incidentes são descobertos meses depois. Se a sua licença guarda 180 dias e você precisa de mais, envie os registros para um SIEM ou para um armazenamento com a retenção que a sua política exige.

Resumo das configurações

Área Onde configurar Licença
MFA e bloqueio de autenticação legada Microsoft Entra ID (security defaults ou Conditional Access) Gratuito (security defaults) ou Entra ID P1
Funções administrativas e PIM Microsoft Entra ID, Roles and admins PIM exige Entra ID P2 ou Entra ID Governance
Consentimento de aplicativos Microsoft Entra ID, Enterprise apps Incluído
Compartilhamento externo SharePoint admin center, Policies, Sharing Incluído
Safe Links, Safe Attachments, presets Portal do Microsoft Defender Defender for Office 365 Plan 1 ou Plan 2
Encaminhamento automático Política de outbound spam Incluído
Auditoria e retenção Portal do Microsoft Purview 180 dias incluídos; mais tempo com E5 ou add-on

Como a Lavineda pode ajudar

Muitas dessas mudanças afetam o dia a dia dos usuários, e a ordem importa: bloquear a autenticação legada antes de mapear quem depende dela, por exemplo, pode parar uma impressora ou um sistema de faturamento. Por isso costumamos trabalhar junto com o time de TI do cliente, revisando o tenant, propondo um plano em etapas e acompanhando cada mudança.

Você encontra mais sobre a plataforma na página de Microsoft 365. Se preferir que o acompanhamento contínuo da segurança fique com a nossa equipe, veja como funciona o Cyber Care.

Fontes

O próximo passo

Se você quer uma segunda opinião sobre o seu tenant, a conversa de diagnóstico gratuita é um bom começo. Você conta como o Microsoft 365 é usado na sua empresa, nós revisamos as configurações com você e saímos com um retorno honesto e os próximos passos, sem compromisso.